POLITICA DE GESTÃO DA SEGURANÇA BAUZERA ESCALADA
2. Estabelecer e implementar procedimentos operacionais e protocolos para as atividades ao ar livre (caminhada-escalada);
3. Priorizar as ações relacionadas as atividades verticais da empresa (rapel-escalada);
4. Formalizar rotinas de trabalho afim de gerenciar o(s) risco(s) de fator inaceitáveis(s) de dano;
5. Definir ações corretivas e preventivas para reduzir a probabilidade dos riscos envolvidos nas escaladas de grandes paredes (Big Wall);
6. Investigar acidentes ou incidentes inerentes a atividade em ambientes remotos, e colocar em prática ações corretivas ou preventivas;
7. Padronizar o estilo do atendimento,conduta ao cliente, mas respeitando a singularidade de cada um;
8. Usar equipamentos de proteção individuais e coletivos com certificação UIAA ou CE. Manutenção preventiva e armazenamento adequado dos equipamentos;
9. Investir em atividades como vistorias, inspeções, auditorias e testes;
10. Operar em locais seguros e previamente testados (MAPAS E TELEFONES UTEIS DO LOCAL);
11. Capacitar os condutores para situações de trabalho e/ou de emergência (primeiros socorros e resgate em ambientes remotos);
12. Obter certificações de conduta ambiental (ISO) e de homologação técnica (AGUIPERJ);
13. Trabalhar os conceitos de segurança com o cliente enfatizando situações de perigo em geral (briefing);
14. Respeitar o meio ambiente bem como as populações locais (permissão de passagem);
15. Oferecer produtos e serviços de qualidade internacional (padrão UIAGM);
16. Manter o banco de dados da empresa atualizado e organizado para otimizar as acoes em caso de acidente;
17. Ampliar o rol dos tipos de convênios hospitalares e de seguro pessoal encontrados na região de atuação da empresa;
17. Obedecer à legislação pertinente aos serviços prestados;
18. Atualizar periodicamente os procedimentos operacionais com base nas normas brasileiras de competências mínimas em Turismo de Aventura (ABNT NBR: 15285; 15334; 15397; 1539).
Prevenção de Acidentes e Auto-Resgate em Escalada - PAARE
* O PAARE foi organizado pela equipe de guias de montanha e escalada BAUZERA com intuito de promover a capacitação dos escaladores e guias da região, para que a escalada e o montanhismo praticados, sobretudo, na Pedra do Baú, sejam exercidos com mais segurança e responsabilidade.
* As aulas teóricas foram realizadas no Restaurante Pedra do Baú, onde se pode saborear a comida típica mineira no fogão à lenha. Hummm, que delicia! As aulas práticas foram distribuídas em vários locais de acordo com o desenvolvimento apropriado das técnicas de fortuna e auto-resgate apresentadas pelo Nativo. Os participantes declararam que o PAARE foi muito interativo e divertido, com destaque para as aulas práticas, que foram realizadas, preferencialmente, em ambiente natural rochoso a fim de simular os ambientes verticais, negativos e positivos encontrados nas vias de escalada em geral.
* Alguns dos tópicos do curso diziam que os perigos encontrados durante as atividades ao ar livre podem ser classificados como Objetivo e Subjetivo. Os perigos objetivos são aqueles presentes no meio ambiente (intempéries climáticas, insetos, espinhos...) e do equipamento utilizado (estado de conservação, certificações...), e os subjetivos falam a respeito do preparo físico do praticante, de sua alimentação, orientação e demais fatores psicológicos em questão.
* Quando ocorre um acidente devido a um ou mais fatores acima exposto(s), o resgatista deve ater-se as seguintes normas básicas:
1. Não proporcionar risco nem agravamento da situação do acidentado;
2. Proteger a vítima com o emprego dos primeiros socorros;
3. Não colocar os resgatadores em risco;
4. Buscar ajuda e socorrer através da utilização de técnicas de auto-resgate e meios de fortuna;
5. Garantir a evacuação de todos os participantes após o termino do resgate.
* Durante todo o curso, observamos turistas subindo a trilha de acesso para o Baú sem mochila, cantil (água), comida, capa de chuva, tênis apropriado, roupas adequadas, boné, etc... E o pior, sem a mínima informação previa da trilha e de suas dificuldades e, ainda por cima, com tempo chuvoso! A maioria deles voltavam completamente ensopados e desanimados por terem se perdido no caminho e tomado a maior chuva na cabeça. E adivinha quem teria que ir resgatar algum destes desavisados? Daí vem à importância da prevenção dos acidentes, pois ainda não inventaram uma fórmula que substitua a clássica “prevenir é melhor que remediar”, pois os acidentes ocorrem, principalmente, devido à somatória de erros, ignorância, inconsciência e subestimação.
* A historia dos acidentes e incidentes no Complexo do Baú não está registrada de maneira correta para que se possa ter realmente dados estatísticos que contribuam na identificação e zoneamento da periculosidade presente nas trilhas e vias de escalada mais propícios para a ocorrência de acidentes e/ou incidentes, o que inclui registro e análise dos acidentes ocorridos no local com base nos relatos das testemunhas dos acidentes, dos moradores locais, dos resgatistas... Deste modo, a equipe BAUZERA segue em diante e inicia mais uma etapa do projeto Segura o Baú, que é a criação do Grupo Voluntário de Busca e Salvamento (GVBS), promovido pela Associação Brasileira de Turismo de Aventura (ABETA), na Pedra do Baú com apoio da prefeitura de São Bento do Sapucaí.
Apoio:
Drogaria do Trevo, Drogaria São Bento e Droga Luz, as quais nos forneceram material para a montagem dos estojos de primeiros auxílios em áreas remotas e agrestes.
Restaurante Pedra do Baú, que forneceu o local para as aulas teóricas e práticas, bem como refeição para os participantes.
Wildernerss First Responder / Socorrismo para Escursionista
Depois de me meter em vários tipos de roubadas, busquei ajuda profissional no ramo de segurança, socorrismo e resgate. Comecei pelos primeiros socorros. Fiz cursos na Cruz Vermelha e tal... Então, percebi que ter o conhecimento técnico quando ocorrer um acidente na montanha ou em vias de escalada de varias cordadas, propicia melhores resultados e garante um retorno mais tranqüilo e saudável. Como seria o caso de analisar a coluna vertebral de um paciente, com possível lesão cervical, antes de movimentá-lo, para não provocar a lesão de sua medula e agravar o quadro para um estado de paralisia ou, até mesmo, torná-lo um paraplégico!
Dentre todos os cursos, o que eu considerei mais abrangente e prático foi o Wilderness First Responder (WFR) promovido pela Fundação Ecomed (Argentina). O WFR ocorreu entre os dias 25 de outubro e 02 de novembro de 2008 em Bombinhas (Santa Catarina), e foi ministrado por dois instrutores argentinos pertencentes a Ecomed. O curso visou o treinamento de socorristas no emprego de ferramentas essenciais na prevenção de lesões e traumas de pessoas acidentadas em zonas agrestes e remotas com base em conceitos e técnicas mais atualizadas no Brasil (em referencia aos protocolos médicos de campo internacionais). As ferramentas mais inovadoras são: 1) Sistema de avaliação do paciente (ampliado dos protocolos médicos convencionais) para ser aplicado em situações de evacuação prolongada em terreno e /ou clima hostis; 2) Analise critica do paciente por meio da historia clinica descrita na ficha SOAP (exame subjetivo, objetivo, analise e tratamento); e 3) Estado de consciência do paciente com base na escala AVDN (alerta, resposta a estímulos verbais, a dor e nenhuma resposta).
O legal é que discutimos temas como a liderança, organização, comunicação e trabalho em equipe de maneira a criar um ambiente "controlado" frente ao clima tenso criados devido ao acidente. E praticamos todos estes conceitos em simulados diurnos e noturno, com manejo de coluna e do paciente poli-traumatizado em zonas acidentadas, lesões no tórax, hipotermia, tratamento de lesões traumáticas nos ossos longos e articulações, etc.
A certificação WFR tem validação internacional e é pré-requisito para o curso UIAGM (união internacional dos guias de alta montanha) de guia profissional de alta montanha.
A lenda de Bhaubá e Ana Yra
A tribo, que habitava o bairro do baú, com medo de ser atacada por outras tribos, mantinha no alto da pedra um índio jovem para a guarda de sua tribo.Um dia foi designado pelo Pagé o jovem índio Bhaubá, para ficar de vigilância na pedra denominada Ita-Mirim. Esse índio se apaixonou por uma pequena índia, que vivia em outra aldeia, hoje, imediações de São Bento do Sapucaí, região baixa que tem vista da Pedra do Baú.
Como não podiam se encontrar, combinaram que se comunicariam através de sinais, ele da pedra grande e ela de sua aldeia. O índio levaria arco e flecha, e na hora combinada, lançaria a flecha contra a outra pedra, a faísca saída do atrito, seria o sinal de amor e de comunicação, e sempre era visto pela índia apaixonada.
Um dia o sinal não foi mais visto pela índia.
A tribo descobriu o sinal que bhaubá enviava para a índia, o cacique e o pagé acharam que o gesto impensado do jovem cortou o caminho e a proteção de tupã, reuniram o conselho e decidiram que bhaubá deveria morrer, e assim o fizeram. O amarraram junto a uma grande árvore e atearam fogo. Muitos e muitos dias a árvore ficou queimando...
Desesperada com a falta de sinal, Ana-Yra ficou sabendo da morte de seu amor, e desgostosa subiu até a pedra Ita-Patá, e ingeriu erva venenosa. Ana-Yra foi encontrada morta na caverna da pedra Ita-Patá.
A pedra Ita-mirim seria o bauzinho, a pedra Ita-matatá seria o baú, em homenagem ao índio Bhaubá, e a pedra Ita-patá ficou como Ana-Ira, que em linguagem indígena significa chata ou baixinha.
Currículo de Escalada e Montanhismo dos Guias BAUZERA
Guia e Instrutor de Escalada e Montanhismo
Profissão: Engenheiro Geólogo / Especialização Vulcanologia / Guia de Escalada
Endereço: Comunidade São Paulo, Paiol Grande de Cima, Km8, São Bento do Sapucaí, SP, CEP 12490-000.
Contato: betoclimb@yahoo.com.br, Tel: +55 (12) 9789-3757
1. ESCALADA
14 anos de prática (desde 1994). Tendo escalado em vários lugares no Brasil e no exterior;
Escaladas Clássicas: Rio de Janeiro (Itatiaia, Salinas, Dedo de Deus, Pão de Açúcar, Corcovado, Pedra da Gávea, Pico dos Quatro, etc); Minas Gerais (Serra do Caraça, Tabuleiro, Serra do Cipó, Serra do Lenheiro, Itacolomy, Andradas, etc); Paraná (Marumbi, Anhangava, etc); Santa Catarina (Pedra Branca, Mariscal, Rio dos Cedros, etc), São Paulo (Pedra do Baú, Pico dos Marins, Cuscuzeiro, etc) ...;
Escaladas Alpinas: Argentina (Arenales/Mendoza, Frey/Bariloche e Chaltén/Fitz Roy), Chile (Cochamó e Cajón del Maipo/Santiago), Equador (Cordilhera Central e Norte) e Peru (Cordilheira Blanca);
Montanhismo: Cume mais alto no Vulcão Chimborazzo (Equador) com 6089m, 2003. Ascensões: Vulcões Illinisas Norte e Sul (5.500m), Shangay (5.930m), Cotopaxi (5.989m), Cubillín (5.100m); Travesia de la Cruz (Cordillera Blanca / Peru).
Conquistas (abertura de novas vias): Cochamó (Chile), Complexo do Baú (SP), Pedra da Divisa (SP), Balança (SP), Caraça (MG), Castelinho (MG), Itacolomy (MG), Furnas (MG).
2. CURSOS
WFR-CE: Wilderness First Responder (Curso de Socorrismo para Excursionista com certificação internacional), 2008;
Primeiros Socorros em Áreas Remotas pela escola de escalada Montanhismus, 2008;
Escalada Solitária com Eliseu Frechou (Montanhismus), 2007;
Primeiros Socorros na Cruz Vermelha, 2007
ABETA: Sistema de Gestão em Segurança e Competências Mínimas do Condutor, 2008.
3. PUBLICAÇÕES
2 publicações no Montain Voices (“Os Impermeáveis no Dedo de Deus” e “Frey – As portas da Patagônia”). Periódico de Montanhismo e Escalada.
Revista Escalando (Chile). Conquista da via “La Hora es Haora” com o próprio editor da revista (Nacho) n0 16, pg. 13.
Site Brasil Vertical: “Arenales betas e otras cositas”
Capa do Guia de Escaladas da Região dos Três Picos (Sérgio Tartari, 2008).
LUCIANA MAES: 23 anos
Guia de Montanhismo e Escalada
Profissão: Técnica em Meio Ambiente / Guia de Escalada / Consultora de vendas de equipamentos de escalada e montanhismo.
Endereço: Comunidade São Paulo, Paiol Grande de Cima, Km8, São Bento do Sapucaí, SP, CEP 12490-000.
Contato: lucianagarra@gmail.com tel: (12)81272254
1. ESCALADA
Praticante de escalada há 3 (três) anos.
Campeã Catarinense de Escalada Esportiva em 2007, e vice-campeã em 2008.
Escalada Esportiva: Santa Catarina (Florianópolis, Mariscal, Balneário Camboriú, Blumenau)
Escalada Clássica: Santa Catarina (Rio dos Cedros), Serra da Mantiqueira (Pico dos Marins, Complexo do Baú, Pedra da Divisa, Pedra do Quilombo, Vista Aérea, Pedra da Piedade em Itajubá, Pico do Papagaio em Aiuruoca, Visual das Águas em SP, e em lugares de Minas Gerais como Pedralva, Andradas, Pedra Bela, etc), Serra do Mar (Joinville, São Francisco do Sul, Morro do Anhangava, Marumbi, São Luiz do Purunã, etc).
Primeira mulher a escalar via “Os Ermitões” no Pico dos Marins (2.400m), batendo o record de velocidade, concluindo a escalada em apenas 12 horas.
2. CURSOS
Curso avançado de escalada em rocha com a Garra Aventura.
Curso de socorrista em atendimento pré-hospitalar, curso de combate e prevenção a incêndio realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Curso Técnico em Meio Ambiente pela UFSC.
Curso de Competência Mínima de Condutor pela ABETA (selo Aventura Segura).
BAMBUZERA
Em muitos paises, o bambu faz parte da tradição e cultura. Para os chineses, o bambu simboliza a humildade, modéstia e juventude perene, provavelmente em virtude de suas folhas sempre verdes e de sua enorme longevidade. Símbolo de alegria, o bambu é também emblema da paz, serenidade, felicidade, fruição da vida e obstinação. Os vietnamitas o consideram irmão do homem. No Japão, juntamente com a ameixeira e o pinheiro, está presente em todas as decorações de ano novo. E é na cerimônia do chá, que o bambu ocupa lugar de maior destaque. É dele que se obtém os utensílios indispensáveis à preparação da bebida. Santos Dumont construía seus artefatos voadores com bambu. Santos Dumont era um parente afastado de Luiz Dumont Villares, que foi um dos precursores da primeira subida guiada a pedra do baú, em são bento do Sapucaí, fundador do
acampamento paiol grande। As primeiras escadinhas a serem feitas na pedra do Baú, também eram construídas com bambu. O bambu, hoje em dia, tb tem sua aplicação na construção civil, pode ser utilizado em estruturas de concreto, na medicina popular, na culinária. Em São Bento do Sapucaí, o bambu faz parte do artesanato local, sendo produzidos jacás, cestos, peneiras, puçás, revestimento de parede, forros de casas, esteiras para os carroções, vasos e cinzeiros. Apresento abaixo, alguns modelos produzidos por mim mesma, com bambus retirados de São bento do Sapucaí. De onde recebem toda a energia da serra da Mantiqueira.Frey – As portas da Patagônia
betoclimb@yahoo.com.br
Frey e o nome de um refugio e de uma das infindaveis agulhas que rodeam o Cerro Catedral localizados dentro do Parque Nacional Toncek, nas imediacoes de Bariloche, Patagonia Argentina. A denominacao foi criada em homengem a Emilio Frey, antigo explorador da regiao.
As agulhas sao formadas por um granito claro repleto de fissuras perfeitas. As fendas sao verticalizadas, continuas, cortam tetos, posssuem arestas afiadas, propiciam movimentos de oposição, entalamento, offwidth, splitter e oferecem proteção continua. Tudo o que um brasileno desejaria para as ferias de verao.
Acesso
Desde o Brasil, o acesso pode ser feito por via aerea ou terrestre. Para quem dispoe de tempo e tem pouca grana, as empresas Pluma e Cruzero del Norte oferecem saidas semanais de onibus leito desde o terminal Tiete (Sao Paulo) ate Buenos Aires. Sao 38hs de viagem a 215,00 com servico de bordo. Deste ponto, pegar um onibus ate Bariloche (empresa Via Bariloche). Sao mais 21hs e 100,00. De aviao a viagem e bem mais rapida e fica o dobro do preco. Se liga no peso da cargueira, pois sao 100 doletas de multa para cargas acima de 30kg.
Chegando em Bariloche, pegar o onibus para a Villa Catedral. Este bus sai do terminal a cada hora cheia e passa por toda a cidade pela rua San Martin. O servico sai por 3,30 pesos e vai ate as 20h. Saltar no ultimo ponto e rodear o estacionamento pelo lado direito. Seguir pela estrada de terra ate encontrar uma placa do lado esquerdo indicando o inicio da trilha. Dai sao mais 4h (com pouca carga) de marcha regular ascendente ate o Refugio E. Frey. Nao precisa levar agua, pois o caminho possui diversas bicas para saciar a sede. Tambem se pode utilizar o teleferico para chegar ao refugio. Ao saltar do onibus, seguir reto ate a base do teleferico. Custa 25,00 pesos e o ultimo sai as 16h. E bem mais comodo, pois a trilha transcorre pela crista do Cerro Catedral e depois e so descer para a laguna Toncek (2h).
Clima
O Frey apresenta um tipico clima temperado, com veroes curtos e invernos rigorosos. A temporada tem inicio em meados de dezembro e vai ate principios de marco. O melhor mes para escalar e fevereiro quando as temperaturas sao amenas (180C), nao tem neve nas paredes e chove pouco. Os dias sao longos com luz ate as 10h.
Um bom indicador de chuva sao os patos, se eles estiverem nadando na lagoa quer dizer que vai fazer uns 3 dias de tempo excelente. Preste atencao nos ventos que trazem nuvens de oeste pois, geralmente, estao associados a tempestades e ventos gelados. Escolha a face leste para escalar pela manha e a oeste a tarde. A face norte sempre e boa e a sul e de gelar.
Estadia
Para quem vai pernoitar e melhor dormir no refugio (reffrey@bariloche.com.ar). A diaria vale 25,00 pesos. As acomodacoes sao coletivas com um quarto grande cheio de beliches para os homens e outro um pouco menor para as mulheres. Bagagens pequenas podem ser acomodadas nos armarios (levar cadeado). Na alta temporada costuma ficar muito cheio e barulhento, mas fica cada vez mais quentinho. O banheiro e comunitario e gratuito, e esta aberto para todas as pessoas que estiverem no Frey. O refugio oferece refeicoes e bebidas. A cerveja artezanal e as pizzas sao boas. Tambem tem uma cozinha com fogao, pia e mesas, mas e cobrado uma taxa de 2,00 pesos por dia.
O camping e livre e tem mais privacidade. Na margem esquerda da laguna Toncek se encontram varios locais propicios para acampar. Ponha a barraca bem embaixo das lengas (arbustos) para que o vento nao as derrube.
Recomenda-se nao depositar qualquer tipo de residuos (sabao, papel, oleo, escrementos...) no chao e, principalmente, na lagoa, pois, alem de poluir o local, as pessoas utilizam agua para beber e cozinhar. Ah! Tem um sapo que e endemico e vive na lagoa, seu ecossistema e fragil. Cuidado para nao pisar neles.
Equipamento
A maioria das vias do local transcorre por sistemas de fissuras perfeitas, sendo necessario um jogo completo de friends e nuts. Leve fitas sobressalentes para lacar bicos e pontes de pedra. Existem algumas vias esportivas completamente chapeletadas. O rapel da maioria das agulhas e realisado por uma via especifica (olhe o guia). Uma corda de 60m ta de bom tamanho. A alguns anos as vias foram regrampeadas com bolts inox de 13mm e chapas inox num padrao dificil de se encontrar por ai. Nao se esqueca do esparadrapo de qualidade para que a tua mao nao se esfole nas fendas, e do guia de escalada que pode ser adiquirido no clube andino em Bariloche por 20,00 pesos.
Graduacao
A escala utilizada e a francesa, porem nao e uniforme. Dependendo de quem fez a via, da agulha que ela esta localizada e o tipo de escalada, o grau pode variar consideravelmente. Recomenda-se fazer as vias do M. Piola. As vias do Garibotti e Rolo sao bem emocionantes. Va esperando algo mais das vias de 6a+, pois este grau garda surpresas. O grau legal e o tal do 6b, reune tudo de bom. O guia classifica as vias de acordo com a qualidade da escalada em estrelas. Faca todas de 3 estrelas , algumas de 2 estrelas e 1 estrela so por curiosidade.
As vias que recomendaria seriam: agulha Frey (lost fingers 6b, los museus 6a+, diedro de jim 5+, yan pipol for piz 6b, trilogias 6b´s); M2 (socotroco 6b, dos diedros 5+); Avuelo (aprendendo a volar 6a+, nhaca nhaca-crunch crunch 5); La Vieja (del frente 5, sudafricana 6a+); Tonto (meteoritos 6a+, baby boom 6b, lobo blanco 6b, le gran ton 6a, soledad intrascedente 6c, le petit pom 6a+, los rompebolas 6b); Piramidal (gemidos de buitre 6c/los bolsoneros 7a); Principal (variantes 6b); Muralha da China (tortiritos de caca 6a+); El Cohete (objetivo luna 6b); La Banana (bananarama 6b+); Campanille (imaginate 6a+, descansa en paz 6b); La Taipa (la jungle en folie 6c).
Como dizem los hermanos: escalada a la bestia!
Bauzera

Contamos com o apoio do Restaurante Pedra do Baú e Garra Aventura e buscamos novos parceiros para tornar a atividade de turismo de aventura uma pratica segura e saudável.
Oferecemos as seguintes atividades:
1. Ascensão ao cume da Pedra do Baú pela escadinha norte;
2. Trekking ao cume do Bauzinho ou da Ana Chata;
3. Ascensão aos três cumes (Baú, Bauzinho e Ana Chata);
4. Rapel no Baú, Bauzinho e Ana Chata;
5. Escaladas Guiadas: vias tradicionais e clássicas do Baú e região;
6. Curso de escalada em rocha para iniciantes.
Todos os equipamentos utilizados são novos e com certificação internacional UIAA. Os guias são capacitados e praticam escaladas e montanhismo a mais de 10 anos, possuem também curso de primeiros socorros em ambiente agreste e de escalada em varias modalidades. Nossas práticas estão balizadas pelas Competências Mínimas do Condutor e estamos em processo de implantação do Sistema de Gestão de Segurança proposto pela ABETA.
Terceirizamos serviços e esperamos o seu contato para juntos estarmos desenvolvendo o turismo de aventura em São Bento do Sapucaí.
Arenales
Roberto Luís Sponchiado
betoclimb@yahoo.com.br
Para os que estão cansados de tomar chuva no verão em terras brasiliensis e são aficcionados da escalada clássica em terreno de aventura, Los Arenales são a pedida ideal para a viagem de fim de ano. Nesta região o clima é semi-árido de altitude e a temporada mais aprazível, para os “brazucas”, vai de dezembro a março, com temperaturas agradáveis durante o dia (180C) e frio durante a noite (70C). Outra coisa boa, e a melhor, é que viajar para a terra de los hermanos está saindo mais em conta devido a valorização do real frente ao peso.
Los Arenales estão localizados no centro-oeste argentino, a 135Km a sudoeste da cidade de Mendoza, próximo a Tunuyán. Geograficamente falando, Los Arenales são alguns dos vales que drenam a Pré-Cordilheira Andina, na zona do Cordón Portillo, e chegam aos 5553m no Cerro Três Picos. As paredes destes vales são formadas por gigantescas agulhas de um granito muito claro repleto de vias com megadiedros de várias cordadas, fendas que cortam tetos, rampas de aderência fendadas, vias de placa com proteções móveis, etc. Geralmente, as fendas tem arestas abauladas (entalamento de mão e pés obrigatórios) com excelentes colocações móveis.
TEMPORADA 2006/07 – São Paulo / Mendoza / Tunuyán / Los Arenales
Tudo começou assim. Em princípios de 2006, um amigo (Bruno) me emprestou o guia de escalada de Los Arenales. Advinha? Virou livro de cabeceira. Maravilhado com as fotos das vias, programei um treinamento especifico para fendas, escalando todas as vias deste tipo que encontrasse pela frente.
Em meados de dezembro corri atrás do que faltava. Fui completando uma enorme lista de tralhas indispensáveis para a trip, o que incluía, além do básico para acampar em ambientes frios (saco –200C, 2 isolantes, etc), mais todos os meus equipos (nuts, friends, corda, costuras, fitas...). Acabei enchendo uma cargueira de 140L até o talo. Estava muito pesada e não tinha nem comida.
Neste meio tempo, internacionalizei o cartão de débito para sacar dinheiro. O Visa (Brasil) pode ser utilizado na rede Plus (Argentina). O débito é realizado pelo cambio do dia. Troque o dinheiro em Mendoza (R$1,00 equivale a 1,33 pesos), pois o cambio é melhor que na fronteira e que no Brasil (1:1,15). Sempre imprima o comprovante de retirada, vai saber...
Dia 25 de dezembro, após encher o bucho com a ceia de natal, eu, Rodrigo e Adréas, que também estavam carregadíssimos, embarcamos em um bus da empresa Pluma (R$215,00) e fomos direto para Córdoba (36 horas monótonas para atravessar os pampas argentinos). Daí fizemos conexão para Mendoza em um ônibus fuleiro (75,00 pesos e mais 10 horas até avistar a cadeia de montanhas do Cerro Aconcágua). Beleza, chegamos! E demos de frente com o melhor de Mendoza: duas loiras lindas e exóticas, que maravilha! Mas tome cuidado, porque enquanto estiver de boca aberta, suas mochilas podem estar sendo levadas por alguns pilantras que sempre estão por ali, nunca tire o olho dos equipos. O terminal oferece serviços de telefonia, internet, comida e outras coisas peculiares. Procure saber os horários de ônibus para Tunuyan e Manzano Histórico (empresa ECLA: 0261 – 4310508). Direto para Manzano só nos finais de semana.
Do terminal fomos para um albergue (Casa Pueblo) a 3 quadras do terminal. Existem muitos outros, mas este é muito conveniente devido a proximidade do terminal. Tem internet, banho, café da manhã e quarto coletivo (4 e 6 pessoas) por 18,00 pesos (tranque o essencial nos armários). O Clube Andino de Mendoza fica bem próximo (5 quadras). Neste clube compre o guia de escalada (“Escaladas en Mendoza” do Maurício Fernandes - 45,00 pesos), pegue alguns betas e, se quiser se espreguiçar, tem até muro de resina. Pode ser que alguém esteja indo para Los Arenales e te de um help (depende da sorte).
O guia de escalada do Maurício Fernandes (conquistador da maioria as vias) é de boa qualidade material e contém informações essenciais. O grau adotado é o francês e ele qualifica (valorizacíon) as vias utilizando estrelas (de 1 a 5) de acordo com o nível da escalada, qualidade da rocha, estética da linha, beleza natural e orientação (visualização). A vias 5 estrelas são excelentes (faça todas). As de 4 podem ser que tenham algo solto, mas são muito boas. 3 estrelas indicam que a via tem algumas surpresas indesejáveis e/ou a qualidade da proteção é precária. Não entre nas vias de 2 ou 1 estrelas por recomendações médicas.
Depois de um banho rápido, partimos rumo ao centro da cidade comprar comida, equipos e trocar dindin. Pegamos um taxi (6,00 pesos - barato) até a Orviz (loja de equipos) para comprarmos algumas coisas para o frio (também tem o guia). Descemos a mesma avenida e passamos várias outras lojas de equipos, bugingangas, restaurantes e o mercado central. Neste local compramos grãos, frutas secas, barra de cereal, bolachas, queijos, temperos, carne..., tudo a granel. A duas quadras do mercado encontramos casas de cambio e trocamos a grana. Fizemos o resto das compras em um atacadista a uma quadra do albergue. Coisas como salame, queijo, leite, sopas, macarrão, sucos, chocolates e outros, são mais em conta, porém, tem que ser de quantidade (pacotes fechados).
Neste ínterim, chegou mais um compadre brasileño para se juntar ao grupo, o Branco. Ele foi de avião de sampa para Buenos Aires e depois de ônibus até Mendoza. Economizou 2 dias e gastou o dobro. Para quem não dispõe de tempo mas conta com umas economias a mais, é melhor seguir este percurso. Mas não se esqueça que tem limite de carga (30Kg) e minha mochila estava com 35kg! (multa de $100,00 doletas).
Finalmente partimos para Tunuyán, em um ônibus velho e desconfortável, por uma bagatela de 25,00 pesos (empresa ECLA). Depois de 2:30h percorrendo campos de uva, chegamos a Tunuyán e procuramos algum transporte para Los Arenales. O Branco encontrou uma camioneta (F1000 velha e a gás) que nos levaria até o Refúgio Portinari por 80,00 pesos (o mais barato). Subimos na geringonça e, antes de sair, pensando no frio e na passagem de ano que estava próxima, compramos várias garrafas de vinho. A cidade de Mendoza está rodeada de vinícolas e é responsável por uma das maiores produções de vinhos do mundo! É muito barato, quase três vezes menos do que se paga no Brasil.
Para quem vai de carro, a gasolina custa al redor de 2,00 pesos o litro. O acesso para Los Arenales, desde Mendoza, é feito pela rota 40 (para sul – 135Km) até Tunuyán. Deste ponto, a aproximação continua para oeste através da rota 94 (42Km) até o povoado de “El Manzano Histórico” localizado aos pés da cordilheira. Daí continua para oeste por mais 12,5Km em terreno montanhoso (estrada de terra bem conservada que margeia o rio), através do Arroyo Grande, até o Refúgio Portinari, Posto da Gendarmería Nacional.
LOS ARENALES - Refúgio Portinari (2.500m)
Fiquei literalmente de cara quando nos aproximamos do refúgio, dada a quantidade e a altura dos paredões que se erguiam ao nosso redor. Agulhas se projetavam para todos os lados. Tudo era muito grande e belo. Olhamos uns para os outros e só se via sorrisos de alegria. NOSSA! Que lugar insano.
Caí na real quando chegamos no Posto da Gendarmeria Nacional (tipo de polícia federal de fronteira). Neste local é obrigatório a apresentação do documento (RG ou passaporte) para adentrar ao local. Nos registramos e respondemos a algumas perguntas corriqueiras e nos disseram que a área é livre para acampar. Montamos as barracas no platô logo acima do refúgio. Não existe nenhuma infra-estrutura fora o refúgio, e o banheiro pode ser qualquer um dos arbustos que você achar melhor (leve uma pá para enterrar os dejetos e queime o papel!) . Tem um rio que passa próximo. A água é fria e limpa, ideal para beber e gelada demais para banhar-se, necessitando disposição e muito sol para tomar um simples “banho de gato”.
“Mira los condores!” Estes sim, são os reis da área. Com asas que passam os 3m de envergadura, estes monstros alados planam suavemente por entre os picos mais altos. Não se assuste, e considere-se privilegiado quando um destes passar muito próximo te mirando com seus olhos vermelhos. Eles se reproduzem nas encostas das montanhas presentes na entrada do vale (dentro do Arroyo de la Vieja). Os machos possuem uma espécie de colar branco e são menores que as fêmeas.
No primeiro dia de escalada (29/12) escolhemos a Muralha de la Mitria como alvo. É um ótimo local para aclimatação. As vias são de fácil acesso (20´´), baixas (altitude), curtas (desnível), muito próximas umas das outras, de grau relativamente fácil (6a média), geralmente esportivas (E1/E2), com bolts, paradas duplas e coisas do gênero. Tem até marcas de tinta traçadas em antigas competições, delimitando a rota a ser encadeada!
Escalamos vias como tango feroz (6b+), extrema y dura (6c+) e sangre caliente (6c) para calibrar o grau francês. Realmente, vias de placa coincidem com a tabela proposta no guia (6c+:7b). No começo estranhamos a falta de aderência, tinha locais em que parecia que tinha sabão, e sentimos um pouco de falta de ar no crux das vias devido a altitude. No final do dia experimentamos vias mais longas, com utilização de material móvel (condor pasa 5, bengala perdida 5+), só para ver qual é que era. Fácil e de grande beleza, a Muralha da Mitria não apresenta um cume propriamente dito. Como a maioria das outras agulhas, a montanha continua subindo por encostas instáveis e perigosas, com muita rocha solta, por mais umas centenas de metros. Felizes com a visão da barraca lá embaixo, descemos cheios de planos para os dias seguintes.
Nos próximos dois dias escalamos neste setor e fizemos vias muito boas, como: placa de la mitria (6b), mama te quiero (6a), sueños vaginales (6a+), transpirando (6a), amici miei (6a), pacha mama (6a), danza com lobos (6a), intercooler (5), rosso di sera (6a), llantoc (6a+), capitan pólvo (6b+), adelamo (5+), filo del caballito (6a+), samarkanda (6a+), salamandra (6a), salamanka (5), e outras. Escalamos até tarde do dia 31. Descemos, comemos e durmimos antes do ano novo, nos poupando para um “rolezão” transcendental através do Arroyo de la Vieja. “Eta lugarsin bão”. As cachoeiras serpenteiam por entre muralhas verticalizadas de um granito salmão reluzente, com passagens apertadas (portais) por entre agulhas imensas. Tomamos um banho trincando e subimos ao cume para contemplar a imensidão deste paraíso.
Curiosos para saber o que é que tinha no outro vale (Cajon de los Arenales), decidimos escalar a Agulha Nuez (3.150m) pela via mujeres, tequilas e otras yervas (5+). Andamos feito condenados desde o refúgio Portinari até a base desta imensa agulha. Tudo estava desmoronando e o frio pegando. Demoramos para encontrar a via. Quando me dei conta, estava escalando a segunda cordada de tênis e sem estar encordado. Aos poucos me convenci de colocar a sapatilha, e depois de três metros estava jogando a corda para o Brancão e colocando móveis nas fendas. E foi assim até o cume, aonde tivemos a triste notícia de que o rapel seria em proteções muito velhas e oxidadas. Tarde de mais para descobrir que vias de 3 estrelas guardam muitas surpresas indesejáveis, e concluímos que o “trem pega” neste outro lado do vale, é muito mais alpino. Repensamos os projetos e decidimos escalar mais antes de tentarmos algo mais comprometedor por ali.
Com o tempo, o ritmo da escalada começou a fluir. Movimentos de oposição, de ombro, entalamentos em fenda frontal, offwidth, placa de aderência, tensão corporal e equilíbrio foram se aperfeiçoando, e resolvemos ir para a Muralha Principal. Esta imensa parede, de um granito muito claro com faces contínuas e compactas, conta com vias de calibre, geralmente verticalizadas e fendadas. São tipicamente clássicas, todas em móvel (inclusive algumas paradas) e com duas centenas de metros. Era tudo o que queríamos. E de cara fomos para a via los diedros (6a+). Alucinante! Esta foi a ultima via do Branco, que voltou - não querendo voltar - para o Brasil. Depois entramos na Patrícia (6a+), uma via muito estética, uma delícia. Para estas vias é recomendável completar o reck com mais móveis e levar luvas feitas com esparadrapo do bom (utilizamos Metolius). A movimentação torna-se mais exigente, a dificuldade é constante e o entalamento de membros obrigatório. Sentimos que o grau de fenda é mais forte devido ao tipo de escalada (6a:6+ / 6a+:7a / 6b:7b – interpretação própria), já que éramos reles escaladores de placa tipicamente brasileiros.
Todas as agulhas tem uma via que é melhor para rapelar, ou que foi feita para isto. O padrão adotado na região para as paradas é, no mínimo, estranho. De duas chapeletas saem cordins e/ou fitas, geralmente desbotados e ressecados, que são equalisados “toscamente” em uma argola fina. Sempre levávamos fitas e cordinos de abandono para não passar por desventuras. Também tome cuidado com as pedras soltas que a corda traz consigo.
Abaixo do refúgio e no caminho para Mítria existem muitos blocos (boulders) que oferecem muitas possibilidades de movimentos. Experimentei alguns, mas queria mesmo era pedra, muitos mais metros de pedra.
Aclimatação feita, hora do jogo duro. “Simbora pro Campanille!”.
Refúgio Cajon de los Arnales (2.650m)
Este refúgio está a disposição, sem custos. Tá um pouco maltratado, e só é limpo pelas pessoas que freqüentam o local. Possui dois andares, mesas, bancos, ganchos para pendurar as comidas (ratos), muita poeira e alguns trecos estranhos. Montamos as barracas ao lado de uns blocos grandes, muito próximo ao abrigo. O bloco da entrada possui duas vias esportivíssimas para a moçada da pressão (7c+ e 8a?).
Com o intuito de reconhecer melhor o enigmático grupo Campanille Alto, fui para a agulha Campanille (3.400m) escalar a via armonica (6a+) junto com o Evandro, escalador de Floripa. A aproximação foi uma provação de força e paciência. A cada passo dado, ou afundava o pé numa cascalheira sem fim, ou o chão literalmente rolava encosta abaixo, arrastando várias blocos (cuidado!). Os bastões de caminhada foram tudo de bom nesta trilha. Me adiantei para que as pedras não tornassem um infortúnio para o parceiro. Depois de duas horas para transpor os mais de 350m de desnível, chegamos na base. Neste setor descobri o verdadeiro significado da frase: escalada clássica em terreno de aventura. As vias são longas, aéreas e totalmente em móvel. O ar está mais rarefeito e é bom ter faro para escalada (visualização), devido ao grande ambiente formado pelo infindável numero de fendas, diedros e arestas. Neste setor é possível deixar os equipos debaixo de grandes blocos amontoados nas bases das agulhas, facilitando muito a descida e a subida, necessitando apenas levar água e comida.
Nos outros dias escalei as vias sangre de eden (5+) e cuyanita (6a+), e as exóticas agulhas Astilla (suiço latino, 6a), Espina (mundo interior, 6c; la matuasta, 6b+) e Torrecilla (universo mental, 6b). Foi aí que começou a saga das escaladas com coração. Deu um clique e passei atropelando os 6b´s. A hora de romper os paradigmas havia chegado. Deixamos os equipos na base da mais alta de todas, a impressionante agulha Charles Webis (3.450m). Esta é a melhor agulha para se escalar fendas frontais que já avia visto. A rocha é extremamente bela e compacta, com fendas retilíneas que saem do chão e vão rasgando até o cume (200m). De mansinho, fomos conhecer a via de rapel: fuga de cabras (6b). Adoramos! Pedimos licença e entramos nas vias: panqueques com dulce de leche (6b), ya te guaverigua (6b), souvenir invernal (6b), turuleca (6b+), escorpión (6b+). Infelizmente, e depois de tentar todas as vias em livre, não chegamos ao cume devido ao mau tempo, com direito a tempestade de neve e trovoadas durante a empreitada. Era só passar o lance de 6b que São Pedro apertava o botão e, CABUM, raios, chuva e neve na cabeça. Aborrecidos, resolvemos mudar de objetivo.
Descemos os equipos para o refúgio e, junto com um amigo de longa data (Pedro), fomos relaxar na charmosa agulha Carlos Daniel (3.100m). Entramos na clássica é fácil via Carlos Daniel (6a). Via de grande beleza, muito visual. Uma ótima escolha para aclimatar na parte alta de Los Arenales. Também fiz umas vias esportivas em fissuras com uns amigos chilenos na base da agulha, que se mostraram muito interessantes para um dia de descanso para as pernas (deditos finos, 6c; petit diedraux, 7a; kamikase, 6b+; the flake 6a+).
O último e maior objetivo era escalar a agulha El Cohete (3.300m) pela via mejor no hablar de ciertas cosas (6b). Acordamos cedinho (6:00h) e fazia um frio cortante. Fizemos em simultâneo as 6 primeiras cordadas, num total de 13. No começo não parece uma via de 5 estrelas, muita rocha solta (craquenta), mas quando se chega na base da oitava cordada, tudo muda: a parede verticaliza; acabam as pedras soltas; e as fendas cortam toda uma aresta de grandes dimensões. Preste atenção no rapel, a descida, em certos pontos, se faz por outro caminho, veja no guia.
Como todo homem que se preze vai para a montanha, fiz um Treking para o passo que dá acesso ao Chile para meditar, contemplar e aclimatar é claro. O caminho transcorre pelo vale principal e sobe até os 4.500m. Parte dele pode ser feito por carro, mas fui a pé e curti um montão. Existem outras trilhas técnicas em Los Arenales. O guia possui algumas informações úteis, mas fale com os gendarmes e/ou pessoas que estiverem por lá sobre as condições físicas e climáticas do percurso escolhido.
Uma figura impossível de não conhecer e dar boas risadas é o Yagar. Morador de Manzano, todos o conhecem, é só perguntar por ele. Ele faz o translado desde Manzano e pode arrumar comida para quem não tem carro, o que foi nosso caso. Faz assados típicos da região no refúgio e sua mulher prepara doces de banana e queijos deliciosos.
No final das contas fiquei acampado por 47 dias e escalei 99% das vias a vista e sacando moveis. De todas as vias só não tinha encadeado duas. As vias de 6b estavam na promoção, escalava comentando os entalamentos e colocações didáticas que encontrava. As de 6b+ eram uma luta prazerosa e silenciosa. E as de 6c testavam intensamente a criatividade. O sétimo grau era apenas um pensamento longínquo.
Comemoramos o final da aventura com um assado de cabrito (chivito) preparado por uns amigos argentinos. Tomamos cervejas geladas no rio e muito vinho. Neste momento vi que era hora de mudar. Segui para o Frei em busca das fendas perfeitas.